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domingo, 11 de maio de 2014

Diário de Bordo: 05 - 10 de maio de 2014

2014.05.05
A semana começou com estômago fraco, febre e ausência na escola. Péssimo: o conteúdo fica desregulado (uma turma passa a não acompanhar as outras), cria-se uma tensão entre direção/professor uma vez que a escola passa pela dificuldade de achar um substituto em cima da hora, e a consciência pesa um tanto.

À tarde, um pouco melhor, forcei um ensaio com os Expression Boys. O medo de sempre de que nada dê certo ou de que o tempo pra ensaiar devidamente seja curto. Meia década fazendo isso ainda não me dá uma segurança... quem se importa?

À noite, a febre e o corpo fraco cobraram seu pedágio. Não consegui ir à faculdade. Dormi às 20h30, exausto.


2014.05.06
Terça-feira acordei bem menos indisposto. Ainda bem, pois é um dos dias mais pesados da semana. Não pelas turmas, que são tranquilas, mas pela correria.

A manhã no Expressão foi suave. I D, II B e A.
Saindo do colégio uma aluna passando mal na secretaria. Acho que nunca vou me acostumar a ver alunxs assim. São pessoas que vejo sempre bem dispostas, bem humoradas em sala de aula. Sofro um tanto quando qualquer coisa desse tipo acontece.

Tarde apressada. São três aulas, uma em cada prédio, cada prédio em um bairro. Dá tempo de passar em casa, tomar um banho e correr pra faculdade. E dessa vez, tive esse tempo reduzido: tive que elaborar uma prova e enviar para o CPD do colégio antes de ir embora. :/

2014.05.07
Manhã que, pra mim, vai ficar marcada.

Andei conversando com alguns colegas de trabalho que admiro muito. Professores e professoras conhecidxs, respeitadxs e que considero como ídolos. O conselho é o mesmo: volte à sua essência. Respeite seus princípios. Cuide-se. Dinheiro só vale se te faz feliz, se te faz bem.

Talvez seja hora de admitir que ando tentando dar passos maior que minhas pernas. Tudo tão óbvio quanto saber que o dia tem 24h e eu tenho dormido/descansado por apenas 5h, se tanto. Que tenho deixado de aproveitar os finais de semana pra descansar. Que eu me prometi há bem uns 15 anos que eu só iria onde tem quem queira me ver. 

A minha matemática é simples: grande quantidade de alunxs parece não apreciar minha presença, peço as contas.

Não são crianças. Não acredito nessa coisa de "ah, mas é questão de você se adaptar". Penso o mesmo, inclusive a respeito dxs colegas da faculdade. A diferença é que na faculdade, supõe-se, estão ali por vontade própria. Ou seja, não estão satisfeitos? É só sair, mudar de curso... (por favor).

Em escola não funciona bem assim... os pais e mães é quem decidem. À nós, professorxs, a responsabilidade de "criar", "dar educação e respeito", "entender a crise, os problemas, a 'fase difícil'" que uns/umas e outrxs estão passando... 

Eu não me importo. Posso ser parceiro, companheiro, compreensível. Mas me pedir pra ser autoritário, não dá. Posso respeitar vontades, desejos e até caprichos. Autoridade?! Mesmo? As pessoas estão carentes de autoridade? Não é possível...  ter que cercear, limitar, podar a liberdade para que as coisas funcionem?! Quanto atraso... 

Você compra um ingresso para uma sessão de cinema. Durante a exibição, alguém começa a atrapalhar, falando alto e fazendo algazarra. Você se sente prejudicado porque quer prestar atenção no filme. O primeiro pensamento que vem à cabeça de muitos é "cadê a autoridade que não vem tirar esse cidadão daqui?!". O meu pensamento não é esse. Eu penso "putz... como alguém consegue atrapalhar os outros? Pra que pagou pra entrar aqui? É muito egoísmo".

Escola é a mesma coisa... 

Acho que vou sair e ver o filme depois. Ou em outro lugar. Ou não vê-lo.

2014.05.08
Frac Unidade II. Aulas depois de uma semana sem vê-los por conta do feriado. Conteúdo atualizado. Espero conseguir conscientizar algumas turmas de que vestibulares estão à espreita. Há que se preparar, galere...

Mais um dia corrido: três aulas à tarde. Expressão -> Nova Dimensão -> Expressão... com a impressão de que passo mais tempo dentro do carro que em sala de aula. O clima quente da cidade não ajuda.

Noite: aproveitei que não teria aula na faculdade para comprar umas balinhas. Na sexta-feira tem a visita à Usina de Corumbá e o passeio no Hot Park. Sempre divertido.

2014.05.09
Acordei às 4h40 para ir pro Expressão. Passeio clássico com as turmas de I ano. Usina de Corumbá e Hot Park.

Estava hiper cansado, ainda com um pouquinho da febre e preocupado com uma série de coisas. Deixei tudo em Goiânia. Elxs merecem o melhor de mim nessas ocasiões. Tentei. Juro que tentei. Espero ter agradado.

O dia passou muito rápido. Creio que ficamos mais próximxs. Isso só pode ser bom. A farra, as brincadeiras, o bom humor, a comunhão que momentos simples proporcionam.

Na volta, para o meu desespero, uma aluna passou muito mal.  Minha ficha ainda não caiu, acreditam? Eu não consigo NÃO me envolver. Nem me acostumar. Elxs passam mal, eu também.

Chegando na escola, a família dela veio buscá-la. Tudo bem? Não sei. Não dormi direito porque fiquei pensando nisso o tempo todo. O bem estar das pessoas está além do que eu posso fazer. Nada sou.

2014.05.10
Prova pela manhã me impediu de dar aula para minhas turmas de sábado no Nova Dimensão. Turmas pequenas, corações gigantes. Acho que sim, acho que sim.

À tarde, minha mãe chegou de Porto Alegre. E recebi para um breve ensaio em minha casa uma pessoa que tenho como amigo. Novamente, obrigações de lado, a tarde correu tranquilamente.

Perdi uma festa pra qual não fui chamado. E...?

O estresse e o cansaço físico pegando pesado, dormi novamente por volta das 22h.


"Ouvi sua angustia
Ouvi seu coração chorar
Estamos cansados, estamos exaustos, mas não estamos acabados
Largue suas correntes, até que só a fé permaneça
Largue suas correntes

Emprestem suas vozes somente para sons de liberdade
Não emprestem mais sua força para as coisas das quais desejam se livrar
Encham suas vidas com amor e coragem
E vão viver uma vida incomum"

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Diário de Bordo: 24 - 29 de março de 2014

Semana de preparação para as provas no Colégio Fractal. Elaborei uma prova simples pois as aulas vêm rendendo bem. Espero que as turmas consigam boas notas.

No Prevest, uma surpresa: ao final da aula do vespertino na terça-feira, um aluno do Ensino Médio perguntou a um professor o que ele achava do livro "Anjos e Demônios" que o garoto estava lendo. Foi criticado. Eu defendi. Apoio. Não como literatura, mas como leitura e porta de entrada para outros livros de fato densos.

Há muito preconceito com quem lê "Saga Crepúsculo" ou similares (Harry Potter e afins). Qual o problema? São livros grandes... valem sim o tempo de leitura. Creio que é uma forma de contato com a escrita, a leitura, o léxico... enfim... como eu disse ao garoto no papo que levamos: só não vale parar por ai.

E foi muito bom conversar com alguém sobre literatura. Recomendei Edgar Alan Poe, Clarice Lispector (O ovo e a galinha), Machado de Assis (Idéias de Canário)... foi muito bom ser ouvido também.

Minha paciência anda um tanto quanto curta com piadas de gênero, homofóbicas e sobre minorias. Logo, tenho evitado algumas companhias. Feio isso, né? Lamento: não consigo. Tenho alunxs que fazem parte de tudo quanto é minoria e eu xs respeito por demais pra tolerar esse tipo de gracejo. Não dá. Empatia.

Termino a semana corrida no Expressão trabalhando com textos chocantes e tocando "22" e "Girls Just Wanna Have Fun", sem saber se consegui conscientizar meia turma. Será? A próxima pesquisa do IPEA deve mostar...

Final de semana chegou. Sábado pela manhã no Nova Dimensão, me acostumando às turmas. São de uma alegria e entusiasmo contagiantes. Já adoro.

Em seguida, o clássico encerramento com minha turminha no Dinâmico. Cada vez mais surpreendentes, fizeram prova. Será que se saíram bem? Veremos, veremos...

Distração, viagens e lazer: desde janeiro estava com passagem marcada para SP, onde acontece a exposição sobre David Bowie no Museu da Imagem e do Som - MIS. A exposição é simplesmente fantástica, diga-se de passagem. Fora que estive em excelente companhia. Família.

São Paulo. The city that I love the most. E quando eu volto... putz! :/


domingo, 16 de março de 2014

Diário de Bordo: 10 - 15 de março de 2014

Semana de planos e mudanças. Nada que implicasse em mudança de rumo ou direção. O que estava planejado era que houvesse uma alteração no meio, no modo. Não ocorreu. Por ora. Uma hora talvez aconteça... né? De todo modo, a viagem, pelo que parece, vai ficar mais intensa (putz!).

Ainda não consegui concluir as correções e postagem das notas todas. Estou com um número incrivelmente absurdo de provas para corrigir. Algo inédito. Como disse uma vez, não sei se quero deixar para umx corretorx fazer esse trabalho (e ter que ga$tar meu suado rendimento). É através das provas que eu vejo onde xs alunxs têm errado, no que precisam melhorar, que tipo de erros de ortografia e gramática andam cometendo... enfim... é a pouca oportunidade que tenho de estar em contato direto com o que elxs produzem. A oportunidade, repito, é pouca, mas o número de provas é gigantesco...

Após a semana da mulher, onde pude falar em algumas salas o que penso sobre o dia 08 de março, algumas turmas me receberam mais abertamente. Acho estranho e ao mesmo tempo é perfeitamente compreensível: por mais que estejamos nos anos 2010, muita gente ainda nutre essa coisa do "professor inimigo". Baixem as armas... toda e qualquer bronca é visando o bem de vocês. E tento dar o máximo de liberdade para que sejam vocês mesmos e eu possa ser eu. E assim, criarmos o que chamo de parceria (como tem sido com as turmas que me permitem há uns anos).

As aulas transcorreram então em clima de coleguismo maior do que o esperado. Provavelmente, em modo inconsciente, comparo as turmas atuais às turmas que eu ensinava no Colégio Delos. Não que umas sejam melhores que outras, o que muda era de fato o afeto e o carinho que tínhamos. Obviamente, o tempo faz a diferença: eram alunxs que eu conhecia há 4 anos. Simplificando, estou com saudades, sim.

Tem sido um problema essa questão de "tempo". Os dias parecem curtos demais. As aulas sempre acabam quase às 13h e até logo em seguida tenho o curto prazo de um almoço e já estou em sala de aula novamente. Rotina massacrante. Sem comentar os trabalhos para a faculdade, os problemas pessoais meus, as cobranças pessoais das pessoas... me vejo entregue a um ritmo que nunca foi o meu. Sempre priorizei qualidade de vida e ela anda meio ausente.

Por "qualidade de vida" entenda-se simplicidade, praticidade. Às vezes sou extremamente tímido e antissocial. Gosto de passar longos períodos isolado, sozinho. Explicar isso para as pessoas mais próximas é sempre uma luta: entendem que não quero mais a amizade delas ou não as quero por perto. Brotam frases que mais soam como ameaça ou punição. Coisas tipo "quem muito se ausenta deixa de fazer falta".

Sofro um pouco com minha dificuldade de dizer "não". Sofro mais quando digo "não" e fico remoendo na minha cabeça a negativa dada, achando que falhei terrivelmente com pessoas que, muitas vezes sim, não pararam pra tentar ver o meu lado. Sempre uma coisa de "pow, o Vini é tão de boa". Ou assim ouvi dizer.

"Ele é uma coisa e o oposto dessa mesma coisa ao mesmo tempo". Ao mesmo tempo, uma tranquilidade ao negar me fazer o que penso ir contra aos meus mutantes e inconstantes princípios. Talvez eu deva considerar aquela análise... 

Chegou a sexta-feira e eu nem vi. Perdi umas noites de sono e, dessa vez, insônia, não ansiedade ou preocupação. Que estranho... e o corpo não cobrou... xs alunxs de sexta ainda disseram que eu estava com cara de quem dormira muito bem. Vai saber...

Sábado veio e o companheirismo com a turma da progressão parece estar aumentando. Assim espero.

Voltei para casa e passei a tarde elaborando listas, fazendo uma pequena faxina, montando materiais, separando uns vídeos, protelando meu estudo :/

À noite, resolvi admitir que sou humano e me entreguei a um dos meus maiores vícios. Fui ao cinema ver "12 Anos de Escravidão". Um filme que recomendo fácil a quem adora bater no peito e dizer "100% branco/orgulho branco". Fiquei tenso e me emocionei durante várias cenas. Acho que o filme pegou leve ao mostrar aquela realidade. Sabemos que foi tudo muito pior.

'Bora viver bem mais uma semana?

 Roll Jordan Roll (12 Years a Slave)


sábado, 8 de março de 2014

Diário de Bordo: 06 - 08 de março de 2014

Quinta-feira

Manhã um pouco turbulenta no Fractal II. Mesmo com a entrega das provas e algumas notas relativamente baixas, alguns alunos ainda não perceberam que sem a devida atenção/dedicação, não há sucesso. Uma pena.

Há uns bons anos também não via a bobagem dx alunx que vê x professorx como rival ou inimigx... quanta perda de tempo... e de dinheiro. Pagar pra frequentar um lugar onde existem regras justamente para fazer de tudo para não segui-las? Não era mais fácil não ir? Apenas? Vejo isso de modo cotidiano na minha faculdade: as pessoas pagando para NÃO ter aula. Quanta falta de maturidade. :/

A manhã de quinta-feira foi rápida. À tarde veio com as aulas no Expressão. Turma de semiextensivo com material exclusivo (em consonância com minha revolta quanto aquele caso do garotinho que foi espancando pelo pai até a morte). III ano participativo (e apressado, talvez :/) estreando o material sobre feminismo/misoginia. Temas fortes.

Sexta-feira

Dia de comentários sobre a saída do queridôncio Chikão. No mais, as aulas foram tranquilas. Houve uma mudança na sequência das aulas/horário. Tudo dentro da normalidade. Estamos nos conhecendo melhor, creio. Fortificando laços também.

Sábado

Sala cheia no Colégio Dinâmico depois do feriado de carnaval. Mapeando as dificuldades e as qualidades da turma. Tem sido interessante e produtivo, creio. Tentando, aos poucos, trabalhar com textos que tenham como temas as diferenças sociais, a desigualdade, ética... tem rendido. Ao final, a galerinha é gentil. Tem sido, acho.

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A correção das provas tem sido MUITO desgastante. Não queria pagar uma pessoa para corrigi-las: é através da correção que percebo onde xs alunxs têm errado, como posso ajudar, onde tenho que investir para que elxs melhorem.

A atitude de muitxs me leva a crer que esse meu esforço é desnecessário. Eu talvez devesse ir mesmo me divertir ou cuidar dos meus estudos. Pagar alguém pra corrigir não vai me desfalcar financeiramente. E aos poucos vou perdendo a esperança de que explicar por extenso que "MAS" e "MAIS" são palavras diferentes vá reduzir a ocorrência desse erro. Quem se importa?

Minhas pernas andam doendo muito. Talvez eu deixe algumas turmas. Eu vou SEMPRE prezar mais qualidade de vida do que ganhos financeiros.

A pensar...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Diário de Bordo: 17 - 22 de fevereiro de 2014

Tenho tentado evitar drama.

Estamos em 2014 e certas coisas parecem ser as mesmas desde 1998. Serão sempre assim? Sempre vão achar que quando digo "sim, estamos em uma escola, estamos aqui pra estudar" em resposta a um "'fêssor, 'cê vai passar exercícios?" eu estou sendo irônico ou ríspido? Sempre mesmo? Eu não entendo... assim como não entendo que em uma certa faculdade particular as pessoas queiram que os professores terminem a aula DUAS horas antes do horário previsto. Quem é que quer pagar R$600,00 por mês e ter metade do serviço prestado? 

Estamos em fevereiro e eu às vezes fico num canto só, pensando que talvez eu esteja cansado. Cansado, talvez, de ter que lidar com o óbvio. Ter que trabalhar o óbvio me desanima, me tira do sério, me faz ansiar por mais silêncio.

O silêncio tem sido um grande e raro companheiro.

Sabe uma coisa que tem me assustado e MUITO? O quanto as pessoas (nós) não ouvem às outras. Terça-feira à noite, na faculdade, havia uma grande concentração de pessoas em um pátio externo "ouvindo" a uma palestra de boas-vindas. O palestrante de microfone em punho, alto-falantes no máximo volume, e mal se conseguia ouvir o que ele falava. Parece que chegamos a um ponto (tenebroso) onde não importa se o que as pessoas falam é do nosso interesse, nos fará bem, trará aprendizado ou coisa parecida... não escutamos. E pior: conversamos por cima como se aquela pessoa não estivesse ali. Um desrespeito horroroso.

Lembro-me bem que deixei, há um tempo, de ir ao cinema com certas pessoas porque elas se viravam pra mim durante a sessão e comentavam o filme em voz alta como se estivessem na sala de suas casas enquanto assistem TV. Bronquear não adiantou. Parei de ir ao cinema com elas, então. Não porque me incomodavam muito, mas porque acho que atrapalham outras pessoas ao redor que pagaram pra ver o filme. Cinema/escola/faculdade não é boteco, não é boate. Ponto final. Vamos combinar que sala de aula - e meus alunos sabem disso, assim espero - tem lá seus momentos de "'bora conversar" mas que quando a pessoa que está lá na frente abre a boca, a gente fecha a nossa? É um respeito óbvio.

Andei conversando com algumas pessoas sobre isso e elas me dizem que é a nova classe C. Gente que teria dinheiro mas não teria "berço", não teria cultura. Resumindo: gente rica mal educada. Discordo. Eu me recuso a crer nisso. Respeito ao próximo, respeito a um palestrante, respeito ao professor, ao colega de sala (que quer ouvir o professor) independe de classe social.

Pra mim, tudo gira em torno de respeito e, no mínimo, consideração. Foi o respeito que eu tenho que me fez "perder" a folga que eu tinha ontem à tarde e dar um pulo nas escolas onde estavam sendo aplicadas minhas provas (onde tive condições de ir, pelo menos) e entrar de sala em sala pra saber se estava tudo ok com a primeira prova minha que faziam (em escolas onde não estou proibido de fazer isso). Eu podia sim ter ficado em casa, mas idiotamente preferi verificar se estava tudo bem. Ou tranquilizar quem eu pudesse. Valeu a pena? Não sei. Se uma ou duas pessoas perceberam e sabem que somos iguais, pra mim tá ótimo.

Está tudo muito torto e estranho. E eu me precipitando, talvez. Não tenho certeza de tanta coisa...  e entendo que é difícil e demorado quebrar um esquema onde alunxs veem professor como inimigo. Achava que isso nem existia mais. Daí, lá vou eu perder tempo tendo que provar coisas que não sou. Dentre tantas que sequer seriam relevantes. Como eu digo sempre "quem se importa? A quem interessa?".

Hoje, terminando a aula às 12h30 de um sábado, um aluno se despediu dizendo "até mais, professor. Obrigado pela aula". Eu disse "eu que agradeço pela atenção". Confesso que me assustei. Tinha tempo que eu não ouvia algo assim. Estamos mais pra coisa "estou pagando, então foda-se"... e me lembrei que quando voltei a estudar em 2013 eu costumava agradecer aos meus professores da faculdade ao final de suas aulas. Ultimamente, ando achando que "só" prestar atenção calado já está de bom tamanho.

Segunda-feira volto a agradecer aos meus professores ao final de cada aula. O silêncio continua.


 
"Me deixa falar / me empresta o ouvido
Me deixa falar / me presta atenção"

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Diário de Bordo: 27 - 31 de janeiro de 2014

Segunda semana de aulas de 2014. Surpreendente por vários motivos.

Primeiras aulas com as turmas de II ano do Fractal na unidade I. Todo mundo muito inteligente, uma galera extremamente receptiva, outra um pouco mais fechada. Espero conseguir criar boas parcerias para que nos tornemos pessoas cada vez mais conscientes, bacanas, sensíveis, atuantes... dai o tal vestibular vem de tabela. Garantido.

Postei uma foto do meu armário (que eu já possuía ano passado) no Instagram e a coisa tomou uma proporção muito engraçada: muita gente pensou que eu estava começando no Fractal. Estou lá desde agosto último. Semestre passado, inclusive, foi quando tive a oportunidade de rever os irmãos Padilha (cuja família é toda muito querida) e de conhecer uma galera muito especial no III ano (Jane, Juliana e cia).

Essa semana, inclusive, tive também minha primeira aula com uma das turmas de III ano. Fiquei muito animado. Parecem muito legais!

Primeira aula com a turma de III ano do Expressão também. E aqui uma novidade espantosa: pela primeira vez a turma de inglês tem mais alunos do que a turma de espanhol (cabalisticamente, 69 x 51). Claro que eu creio - bom realista que sou - que isso é só na(s) primeira(s) semana. Por mais que eu goste muito de todo mundo ali, pessoas que me permitem há 2 anos, sabemos que uma aula por semana apenas é fogo... ainda mais com o conteúdo que eu planejei. Só o ouro! Espero que resistam, nos apoiemos, e veremos o sucesso ao longo do ano. Quero proporcionar e participar das alegrias deles. De todos.

Quinta-feira também foi dia de ir pela primeira vez desde 2009 no prédio da unidade II do Fractal (antigo Colégio Maximum). O prédio passou por uma reforma e em quase nada lembra a antiga escola. Ainda sim, antes de ir para as salas de aula, um curto passeio pelos corredores foi o bastante para trazer muitas memórias.

Quando entrei nas turmas de II ano, ouvi um "Vinicius?!" : ) Dai foi um punhado de apertos de mãos, abraços, sorrisos, lembranças... minhas crianças dos sextos e sétimos anos cresceram! E alguns não mudaram nada, nada. É incrível. E, putz, como eu estava com saudades... muita. Voltamos a ser parceiros, colaboradores, amigos que nunca deixamos de ser. Assim espero.

Foi inevitável terminar a semana pensando nas turmas do Delos. Por mais que hoje (sexta-feira) eu tenha entrado mais em turmas de I anos, havia um II que eu ainda não tinha estado. Dai, mais reencontros bons, mais pensamentos sobre o Delos. E... saiu o resultado da UFG... caramba... e a quantidade de abraços sinceros que eu não pude dar em quem foi aprovadx? Ou consolar quem não foi... enfim...

Antes do almoço (que consegui colocar no estômago apenas depois das 15h ¬¬), recebi umas mensagens muito bonitas da galera do Delos. Dizem que estão com saudades e perguntam porquê eu os "abandonei".

Oras... não houve abandono, gente! :) Quando confirmei minha carga no Fractal, no dia seguinte compareci ao Delos pedindo ao menos as aulas com os III anos à tarde. Foi quando descobri que todas as turmas teriam aulas à tarde. Pedi então todas as turmas, mas o horário já estava pronto.

Sou grato pela oportunidade e pela acolhida que o Delos me deu desde 2010. E mais grato ainda aos alunos e alunas pela amizade, pelo carinho, por me permitirem, por estarem por perto. Idiotamente, penso nessas pessoas TODOS os dias desde o começo do ano. Não consigo pensar só na grana a mais ou na distância encurtada de casa para o trabalho. Vai ver é a tal saudade mesmo, pra variar...

O respeito e a admiração que eu tenho pelas minhas turmas é geralmente recíproco. Temos uma cumplicidade que eu prezo bastante. Temo, inclusive, a cada começo de ano letivo, que essa não se concretize, como que por mistério, e eu fique desesperado, ansioso.

Quero estar acessível e ter acesso. Quero compartilhar. Quero fazer crer que "quem tudo doa, tudo tem". Quero me doar e quero que se doem, inclusive. Será que vai dar certo? 

P.S.: E ainda virão as turmas de semi-extensivo (cursinho) Expressão, Fractal e Prevest. Uhul!

 
E a semana começou assim. Macklemore, Ryan Lewis, Queen Latifah, Mary Lambert & Madonna
Grammy Awards 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Diário de Bordo: 20 - 24 de janeiro de 2014

Primeira semana de aula depois das férias de final de ano.

Sempre acho estranho voltar e começar de novo. É a prova de que aquele filme "Feitiço do Tempo" é de fato uma crítica ao modo que tratamos nossas rotinas. Nosso "Dia da Marmota" dura um ano. E dai, tudo de novo... vale o que a gente fizer de diferente.

Por enquanto, só tive aulas no Expressão, onde xs alunxs recebem a gente como amigxs. Eu tento tratá-lxs como tal. Até porque muitxs de fato são. ^ ^

A vida pessoal andou bem corrida essa semana e a falta de tempo ajudou a não pensar muito na falta que xs alunxs e amigxs do Delos estão/vão fazer. As postagens e mensagens inbox no FB são de deixar o coração miúdo, porém.

Ainda bem que existe internet para encurtar distâncias e fazer as relações sobreviveram, não é? : )

Na próxima semana começam as aulas no Fractal. Só posso dizer que estou MUITO ansioso e animado. E ainda tem o Prevest daqui duas semanas. ; ) 

That's all folks!

P.S.: Pra quem quiser praticar (e brincar) um pouco esse final de semana (e/ou for fã de Harry Potter), abaixo seguem os links para uma cruzadinha e um caça-palavras. Hope y'all have fun!